Empreender com franquias vale a pena?

Entenda melhor como funciona esse tipo de negócio.

Guia de Bolso | 23 de agosto de 2017
Empreendedorismo
franquias

O setor de franquias é um dos que mais cresce no país. Segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), o avanço do setor costuma ser, inclusive, superior ao do PIB nacional.

De 2015 para 2016, por exemplo, a despeito da crise financeira, o ramo de franquias registrou 8,3% de aumento em seu faturamento, chegando a R$ 151,247 bilhões. O número de redes diminui de 3.073 para 3.039 em todo o país. Mas o número de unidades de franquias cresceu. Já são mais 142.593 em todo o território nacional.

Esses dados da ABF são sinais positivos para quem pensa em empreender adquirindo e administrando uma franquia. Mas é bom entender mais sobre esse tipo de negócio para saber se realmente vale a pena, para você, investir em ser um franqueado. Então, acompanhe:

 

– O que é uma franquia?

O sistema de franquias é um jeito de operar o negócio, no qual o franqueador disponibiliza sua marca e estrutura para que outros empresários (franqueados) possam desenvolver a mesma atividade em outras localidades.

Trata-se, portanto, do acordo entre duas partes: o franqueador e o franqueado, em que o primeiro cede ao segundo alguns direitos, como o uso da marca, o sistema de operação e de gestão, além da comercialização.

Em troca, o franqueado paga ao franqueador um valor específico pela aquisição e uma mensalidade que varia conforme os níveis de faturamento que é possível obter com a unidade.

Para regulamentar esse acordo entre as partes, a Lei 8.955 determina que o franqueador disponibilize previamente ao franqueado uma Circular de Oferta de Franquia (COF) – documento que deve apresentar todas as condições do negócio, incluindo aspectos legais, obrigações, deveres e responsabilidades das partes de forma criteriosa, clara e completa.

 

– Os prós e contras da franquia

Em geral, redes que operam por franquias são marcas já estabelecidas, planejadas, com modo de operação e público-alvo já definidos. Por isso, costumam ser considerados negócios menos arriscados.

Como a marca principal já é reconhecida, a franquia pode ser, também, uma opção mais lucrativa de negócio. Inclusive, o retorno do investimento financeiro em uma franquia costuma ser mais rápido do que em um negócio próprio. A média é em torno de 24 meses.

Outra vantagem das franquias costuma ser o bom contato com fornecedores. Como se trata, geralmente, de um volume maior de suprimentos, é possível conseguir melhores negociações.

Por outro lado, quem decide investir em uma franquia não se torna automaticamente seu próprio chefe (como é o sonho de muitos ao empreender). Afinal, é preciso prestar contas frequentemente ao franqueador; é necessário seguir as orientações da marca para manter o padrão de qualidade; e não se pode alterar nenhum produto ou serviço oferecido, havendo risco de ter que pagar multas ao franqueador.

Então, é bom estar ciente de que, ao abrir uma franquia, o empresário não fica totalmente independente. Mas, com dedicação e bom conhecimento do mercado, o negócio pode ter um ótimo retorno. Veja só:

 

– O que saber antes de fechar negócio?

Se você está interessado em abrir uma franquia, o primeiro passo é solicitar a Circular de Oferta de Franquia (COF) e o Plano de Negócios ao franqueador. Nesses documentos devem estar especificadas todas as características da marca e todas as regras da franquia.

Analise a COF atentamente, reparando em todas as taxas cobradas (taxa de adesão, de publicidade, de fornecimento de suprimentos, royalties, etc.), em todas as responsabilidades de cada parte e na estrutura de suporte oferecida pelo franqueador.

Busque também na Internet (inclusive nas redes sociais) para saber mais sobre a marca (experiência do franqueador, reclamações dos consumidores, etc.). E converse com outros franqueados mais antigos para tirar dúvidas e saber sobre o suporte dado pela marca.

Além disso, informe-se sobre o segmento de mercado em que a franquia atua. Para isso, você pode, por exemplo, entrar em contato com a Fecomércio e o Sebrae da sua região. Pesquise o público e o mercado. Compare taxas entre franquias. Faça um balanço entre pontos fortes e fracos do negócio. Enfim, lembre-se que o franqueador tem o know-how da marca, mas você precisa ter o conhecimento regional do mercado em que irá atuar. Aliás, confira só:

 

– Custos além das taxas

Normalmente, as franquias cobram uma taxa única de aquisição, em que estão inclusos os gastos com estruturação do espaço físico da unidade, compra de equipamentos para trabalhar, treinamento de funcionários e gestores, abastecimento do primeiro estoque, entre outros.

Além disso, durante o contrato de compra da franquia (período de, em média, dez anos), o franqueado deve pagar uma mensalidade na qual costumam estar inclusos: royalties (de 1% a 30%), taxa de publicidade (em média, de 10%) e taxa de fornecimento de suprimentos, que varia conforme o produto comercializado.

Em alguns casos, o franqueador também pode cobrar para que um especialista visite previamente o local onde se pretende montar a nova franquia para fazer um estudo da viabilidade e do potencial da localidade.

E é preciso lembrar que há ainda outros gastos envolvidos no processo de abertura e manutenção da franquia que são de responsabilidade do franqueado, tais como: aluguel do imóvel, água, luz, Internet, telefone, limpeza, impostos fixos, pagamento de funcionários e sócios, etc.

Ou seja, quem deseja abrir uma franquia não pode se ater apenas ao valor de aquisição. É preciso calcular todos os outros custos envolvidos no negócio, incluindo uma boa margem de capital de giro para trabalhar enquanto o negócio não obtém retorno.

 

– Microfranquias

Para quem quer abrir uma franquia com menores aportes, existe a opção das microfranquias. Tratam-se modelos mais enxutos de marcas conhecidas ou franqueadoras com história mais recente. Em alguns casos, o valor de aquisição é menor que R$ 10 mil. No site da Associação Brasileira de Franchising é possível encontrar alternativas assim.

De qualquer forma, analise bem a marca franqueada, com atenção a todas as dicas anteriores. Pesquise, estude, compare e não deixe de fazer um planejamento próprio de negócio, envolvendo todos os custos e ações necessárias. Se preciso, conte com a ajuda de uma consultoria especializada e garanta mais segurança no investimento de suas economias.

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Empreendedorismo e cooperativismo.

 

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